A Quaresma é tempo propício para um grande e sincero exame de consciência acerca de nossas relações com os outros, com o mundo em que vivemos e com Deus, nosso Pai. Não há portanto como amar a Deus se o irmão não é reconhecido em nossa vida! É um tempo para se alimentar a solidariedade como imprescindível meio para a superação de todas as formas de violência na convivência humana e planetária com o propósito de promover a paz e a harmonia do planeta.
Cristãos, homem e mulher, são pessoas dispostas a assumir o Evangelho do Reino pregado por Jesus Cristo a quem tomam como referência absoluta de suas vidas. Para eles, não há outra boa-nova que possa ser colocada ao lado ou acima da que foi por Ele anunciada. A fé cristã não é mero sentimento; é uma prática de vida que comporta a descoberta e o encontro do Deus vivo. Só o descobre quem o vê em Jesus Cristo. O encontro com Ele faz exigência de conversão. A conversão não se restringe a uma etapa da vida; é um processo de progressivo amadurecimento. Na medida em que a conversão se radicaliza, cresce a fé. Esta afirmação pode-se deduzir das primeiras palavras de Jesus Cristo ao inaugurar seu ministério público: "Convertam-se e acreditem no Evangelho (Mc 1,15)."
Segui-lo implica, antes de tudo, profunda mudança na orientação da vida; implica, ainda, deixar as seguranças em que nos apoiamos e que podem impedir nosso compromisso com Ele de aceitar seu projeto de vida nova. O maior acontecimento da história da salvação é a Páscoa, a passagem, através da morte, à vida nova: "morrer com Cristo para ressuscitar com. Ele". É quando o ano litúrgico alcança seu ponto mais alto. Aí está a importância da Quaresma: preparar-nos para celebrar O acontecimento da nossa fé, tempo favorável a este nosso amadurecimento. Necessário começar por ouvir a voz dos profetas: "Rasgai os vossos corações e não as vestes” (Joel, 12,13) ou segundo a expressão de Ezequiel: "No lugar do coração de pedra colocarei um coração de carne (Ez 11, 19). Eles não se cansam de lembrar que a religião querida por Deus é a do coração. As exigências da fé empenham todas as energias e a pessoa toda (pensamento, sentimento, conduta) na aceitação da vontade divina. Não é empenho de um só dia, mas de cada dia por toda a vida e através de uma conversão sempre mais lúcida.
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